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2.12.12

"Viajante Chic", Gloria Kalil

Se o leitor já sabe que Gloria Kalil escreve sobre o universo da moda pode imaginar que Viajante Chic está centrado nas dicas sobre “o que levar na mala”. De forma nenhuma. Há vários temas similares abordados em outros manuais de viagem clássicos. A parte inusitada e deliciosa do livro ficou por conta de casos de leitores que Gloria usou para ilustrar os assuntos. Foi uma ideia inteligente e deixou o guia mais atrativo de ler.

Sendo uma viajante frequente ela também compartilhou suas experiências e seu conhecimento com generosidade. Inclusive aconselhando sobre as atitudes mais adequadas em certas situações estressantes, como por exemplo, a hora de passar pela imigração. Tenho outros livros da autora, adoro seu trabalho e gostei do Viajante Chic; mas achei as listinhas de roupas sugeridas extensas - considerando o tempo da viagem que aparece em cada uma delas. Se seguidas à risca as maiores encherão duas malas médias. Curioso é que, logo nas primeiras páginas, Gloria chama atenção para a importância de se viajar leve.

Salvo em viagens de ônibus ou de carro quando há espaço de sobra no bagageiro, mesmo para quem fica pouco mais do que 20 dias fora, ter apenas uma mala para despachar é o ideal. Por quê? Inevitavelmente voltamos com mais peso e talvez o segundo volume permitido acomode o que vem a mais na volta. A tal sacola de naylon que vai dobradinha no fundo da mala fará o papel da segunda mala para ser despachada. Além disso, é quase impossível não ter mala/mochila de bordo levando notebooks, tablets, câmeras, celulares... e a muda de roupa que deve ir com a gente para uma emergência. Então já temos aí duas malas (de bordo + 1 para despachar). Quanto à questão do peso há um terceiro fator importante a ser lembrado. Quem faz viagem internacional de avião e depois, fora do país, realiza outros voos que não são de conexão deve controlar os quilos (porque estes voos posteriores serão nacionais e o limite de peso será menor!). Já vi gente desembolsando uma boa grana para pagar excesso de bagagem porque não prestou atenção nisso. Dependendo da companhia terá mesmo que pagar pela bagagem integral que leva. É fundamental ver as regras de cada empresa.

Voltando ao tema roupas, considero esta a regra de ouro da mala bem feita: todas as peças devem "funcionar" entre si - dica preciosa do excelente Confidencial da Constanza Pascolato (capítulo 10, "Viajar Para Aprender"). E o que mais quase todo viajante regular sabe? 1. Para mulheres bons acessórios "mudam a cara" do traje e é mais fácil carregá-los do que vestuário de base. 2. Roupas de cores neutras são feitas justamente para serem repetidas e não há nenhum drama nisso quando se está viajando. Tolera-se uma extravagância no caso de haver algum compromisso que exija roupa de ocasião. 3. Como o clima no mundo inteiro prega peças nos prevenimos levando uma jaqueta leve e uma blusa de manga comprida no caso das férias de alto verão (se refrescar demais não passaremos frio), ou duas blusas de meia manga para um clima supostamente mais frio (se a temperatura subir mais do que o previsto não ficaremos tão sufocados dentro dos casacos).

É compreensível que certas pessoas tenham necessidade de estar muito bem vestidas em função do seu trabalho e da imagem pública que projetam. Se não for o seu caso, oriente-se pelo bom senso e simplifique sua vida. Medo de deixar alguma coisa essencial em casa? Um/a amigo/a expert em malas pode ser de grande ajuda. O Guia do Turista Brasileiro também tem informações úteis (não apenas com relação à bagagem).

Por último quero chamar atenção para um tip do Viajante Chic do qual discordo: os eletrônicos devem ser levados na bagagem de mão e os cabos na mala. Bom, a não ser que você carregue muuuuitos gadgets, eu recomendaria levar tudo na bagagem de mão. Explico. Há três anos uma colega de um curso realizado fora do Brasil teve sua bagagem extraviada. Nessa mala perdida estavam todos os cabos: da filmadora, da máquina fotográfica e do notebook. Felizmente a mala apareceu alguns dias depois. Mas... E se não tivesse aparecido? Portanto, depois de presenciar esse drama, os cabos agora vão na minha bagagem de mão. 

20.11.12

"Boa Viagem! Um guia de saúde para sua viagem", Fernando Lucchese

Sem medo de parecer hipocondríaca, mais uma vez venho falar da importância de cuidar da saúde durante as viagens. Desta vez o assunto é o livro do médico Fernando Lucchese, que traz dicas interessantes e muita informação sobre vacinas, medicamentos e as doenças mais comuns em viagens. É um guia de bolso pequeno e prático para ser transportado na bagagem caso seja necessário consultá-lo. Estes são os 20 capítulos que o leitor vai encontrar:

Que tipo de viajante você é?
Embarcando com saúde
Malas: um mal necessário
O avião
Cuidado! Futuro bebê a bordo
Sou cardíaco, posso viajar?
Sou portador de marcapasso, estou liberado para qualquer viagem?
Uma saudável viagem de automóvel
Uma saudável viagem de navio
Segurança em viagens
Seguro de viagem
Criança, um viajante muito especial
Viajando com animais
Os vírus também viajam
As doenças mais comuns em viagens (de A a Z)
Documentos, vistos, vacinas e endereços úteis
Sites com informações sobre viagens
Site de previsão meteorológica
Sites de saúde em viagem
Glossário português-inglês com palavras da área da saúde

Interessado? Pois vale a pena levá-lo na mala!

Leia também: Medicina de Viagem: leve conselhos úteis na bagagem para cuidar da sua saúde

27.5.12

"Confissões de um turista profissional", Kiko Nogueira

O que dizer sobre as confissões de Kiko Nogueira? Inusitadas... Ele descreve situações e dá opiniões com as quais a gente se identifica (ou não) e fica com aquele sorrisinho no canto da boca. Vamos dizer que são 37 mini-resenhas sobre temas estrangeiros e também sobre as "coisas do Brasil". Mas caro leitor, não se engane! É um livro que mais pretende contar e divertir do que orientar. E faço a ressalva porque o subtítulo, -Tudo o que você queria saber sobre viagens e que os guias jamais vão contar-, pode levar a pensar que a gente vai ler um guia alternativo. Não é essa a proposta do autor.

Vou compartilhar um trecho do texto “Viajantes contra turistas”: “Tem gente que acredita que ser “viajante” é melhor do que ser “turista”. Os primeiros são, basicamente, descolados, cidadãos do mundo, cosmopolitas, bonitos, espertos. Não viajam de pacote, falam 37 línguas, odeiam McDonald’s e conhecem todos os lugarzinhos de todas as cidades (aquele insuportável lugarzinho que ninguém conhece. Quanto mais um mané como você). Os segundos são... pessoas fracas. Dependentes. Tristes. Sempre com uma câmera na mão e nenhuma ideia na cabeça. De onde vem essa bobagem?” Pois é... Percebeu o estilo do Kiko?

8.11.11

"Manual de Sobrevivência em São Paulo", Raquel Oguri

Nos últimos anos começaram a pipocar alguns guias e manuais turísticos bastante específicos e diferentes dos tradicionais. Quando fui a Buenos Aires em 2005, além do Rough Guide, levei na mala Os Endereços Curiosos de Buenos Aires que a Panda Books tinha recém tirado do forno. Livrinhos como esse dão um colorido especial ao passeio, principalmente para os viajantes que gostam de misturar o tradicional com o novo buscando atrativos e roteiros mais segmentados de acordo com suas preferências. Com viagem marcada para São Paulo, foi com entusiasmo que descobri (felizmente um mês antes!) o Manual de Sobrevivência em São Paulo.

Embora a informação esteja organizada pensando prioritariamente naqueles que habitarão a cidade, o livro não deixa de contemplar os turistas. Afinal há dezenas de dicas bacanas sobre restaurantes, bares, lojas e passeios. Entretanto, mais valioso do que as dicas descoladas é o carioquês da autora, que usa o nosso dialeto para explicar São Paulo ao leitor. Como assim? Ao descrever o ambiente de um bairro paulistano e compará-lo a um bairro do Rio, por exemplo, o carioca poderá vislumbrar a aura do lugar descrito sem conhecê-lo de fato (informação primordial na hora de escolher um lugar pra morar). Com vertentes antropológica e cômica, o manual de Oguri é rico no se refere ao modo de vida paulistano. Entendê-lo é fundamental para quem está acostumado à informalidade do Rio e necessita "relativizar" a "Cidade Maravilhosa", prevenindo assim um choque cultural. Adorei o livro e recomendo, lembrando que autora tem um blog homônimo que existe desde 2010.